31/01/08

Alalaô de cú é rola: parte 1

Mais um carnaval rolando e com ele todo aquele pacote costumeiro. Como sempre me acusam de rabugento, mas prefiro sê-lo do que abraçar qualquer causa assim tão fácil só porque consta no calendário.


EU NÃO GOSTO DE CARNAVAL.

Pronto, falei. E por isso, pelo menos aqui no Rio de Janeiro, sou quase um pária, um marginal, senão, o anticristo encarnado em forma de serial killer de bate-bolas. São inúmeros motivos (para não falar argumentos) pra não simpatizar mais com essa data (se é que de fato algum dia simpatizei). Consigo até pra enumerar alguns:

1- Carnaval: uma ode a hipocrisia

São nesses dias que todos fazem tudo que gostariam fazer durante o ano todo, mas falta culhão, então pagam de santos. É durante o carnaval que aquela sua amiga cândida e pudica vai fazer um gang-bang. É
provável também que até aquele seu amigo mais tosco consiga comer alguém, tamanha falta de critério desse povo no cio. É a comemoração tira-zica, onde todos se pegam independente de raça, sexo, QI e situação financeira (ok, um carro e um flat podem ajudar seu desempenho).

Aí você vê um monte de neguinho que aguarda ansioso (para não falar desesperado) esses 4 dias onde, teoricamente, todos têm salvo conduto pra fazer qualquer merda.

Questão kármica: Porque não fazer merda o ano inteiro, e dividir as cagadas de forma mais homogênea?


2 - Carnaval: o paraíso Joselito
É nessa época do ano onde todos resolvem vestir suas pantufas de jaca. Mas muita gente decide de fato abdicar da porra da dignidade. Todos os tipos de cagadas são intensificadas ao nível ômega. Aquele cretino do seu vizinho, que toma umas duas cervejas toda sexta e já acha que que é o boêmio, vai resolver mamar uma garrafa de Vodka Chavaskov e outra de Cavalinho. E quase certo, vai porrar o carro dele no seu portão tentando entrar na garagem dele. Não sem antes bater em uns 3 carros no caminho, talvez até atropelar alguma velhinha (provavelmente bêbada também) no percurso.

É a época mais propícia para acidentes de trânsito, barbados vestidos de melindrosa, brigas idiotas, vexames públicos, corneamentos indiscretos, saídas forçadas de armário e afins.

Questão kármica: Pra que descontar 361 dias em 4?



3- Carnaval: o amor a uréia está no ar

Esse tópico é o mais autoexplicativo, basta você ter a dádiva do olfato. O carnaval fede a mijo. Se for próximo a esquina, equivale e estar numa piscina cheia do mesmo.

O salvo conduto carnavalesco inclui a cláusula "você bebeu qualquer coisa em qualquer lugar, então pode urinar onde quiser". Lindo.

No próximo Carnaval, vou até sair usando máscara
(de oxigênio). Ninguém mais vai poder reclamar que eu não "entro no espírito".


Questão kármica: Porque os putos não se tornam adeptos da urinoterapia?




continua...


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